O Jardim e o Grande Resgate
Um conto para os pequenos da família
Era uma vez um Rei muito grande.
Tão grande que ninguém conseguia vê-lo todo ao mesmo tempo. Tão sábio que sabia como fazer tudo a partir do nada.
Um dia, o Rei decidiu construir o lugar mais belo que pudesse existir.
O Rei constrói o seu mundo
Primeiro fez a luz. «Que haja luz!» — disse. E houve luz. E foi muito boa.
Depois fez o céu e o mar. Depois a terra e as plantas. Depois o sol e a lua e todas as estrelas. Depois os peixes e as aves.
E depois fez algo especial — algo que ninguém tinha visto antes — os animais mais grandes que jamais existiram.
Alguns tinham caudas tão grandes como árvores enormes. Alguns tinham asas e respiravam fogo. Alguns eram tão grandes que a terra tremia quando caminhavam.
Hoje chamamos-lhes dinossauros. Mas o Rei fê-los primeiro. E eram reais. Muito reais.
O Rei pô-los no seu mundo e disse: «Muito bom.»
O presente mais especial
Mas o Rei tinha guardado um presente ainda mais especial.
Tomou um pouco de terra do jardim mais bonito. Formou-a com muito cuidado. E depois — isto é o mais incrível — soprou sobre ele.
Como quando a mãe sopra para apagar as velinhas do bolo. Mas este sopro era diferente. Era o sopro do próprio Rei. E o ser despertou.
Esse ser chamava-se Adam.
E Adam era especial porque levava um pedacinho do Rei dentro de si. Não era uma máscara. Não era um papel. Era ele mesmo — de verdade.
O que Adam podia fazer
O Rei disse a Adam algo assombroso:
«Tudo isto é teu. Cuida dele. Os animais grandes, as aves, os peixes — todos te obedecem a ti.»
Consegues imaginar isso? Até os animais mais grandes do mundo faziam caso a Adam!
E o próprio Rei trazia os animais para ver que nome lhes punha Adam. O Rei esperava. O Rei escutava. Porque Adam era muito, muito importante.
Até o Rei respeitava as decisões de Adam. Assim de especial ele era.
Depois o Rei viu que Adam estava sozinho. E disse: «Não é bom estar sozinho.»
Então tomou uma parte de Adam — um lado inteiro dele — e com essa parte fez a Ishah.
E Adam viu-a e disse: «Por fim! Alguém como eu!»
E viveram felizes no jardim mais bonito do mundo.
O problema — a serpente mentirosa
Mas havia alguém no jardim que não era bom.
Era uma serpente. Mas não era uma serpente normal. Dentro dessa serpente havia um ser muito antigo e muito esperto que estava irado porque Adam tinha tudo o que ele queria.
Ele queria o poder de Adam. Mas Adam tinha algo que ele nunca poderia ter — o sopro do Rei dentro de si.
Então inventou uma armadilha.
Aproximou-se de Ishah.
Por que de Ishah e não de Adam? Porque Ishah foi feita para receber. Para acolher. Para guardar. E o ser mau queria que ela recebesse algo que não vinha do Rei.
Sussurrou-lhe:
«É verdade que o Rei disse que não podiam comer daquela árvore? Olha que bonita parece. Olha que bem cheira. Se a comeres vais saber tudo — tudo — vais ter o poder do próprio Rei.»
Era isso o que Ishah queria. Não o conhecimento por curiosidade. O poder. Ser tão poderosa como aquele que fez tudo.
E comeu. E deu a Adam. E Adam comeu também.
Era uma armadilha. Não ganharam o poder do Rei. Entraram no território do ser mau.
O que aconteceu depois
Naquele momento tudo mudou.
Era como se tivessem apagado uma luz dentro deles.
Antes — Adam e o Rei falavam juntos. O Rei esperava as decisões de Adam. Adam cuidava do jardim. Tudo era como devia ser.
Depois — Adam escondeu-se.
«Onde estás?» — chamou o Rei.
E Adam saiu a tremer.
O Rei estava triste. Muito triste. Porque os seus seres mais especiais tinham escutado o ser mau em vez de O escutarem a Ele.
E tiveram de sair do jardim.
O que o ser mau ganhou
O ser mau agora tinha algo que antes não tinha.
Antes — Adam tinha domínio sobre ele. Adam era mais importante.
Depois — o ser mau usou Adam e Ishah como as suas mãos no mundo.
Porque o ser mau não tem corpo. Não pode tocar em nada por si só. Precisa que os seres de carne façam o que ele quer.
Então empurrou Ishah a buscar poder. E empurrou Adam a conseguir esse poder para que Ishah o olhasse.
E assim — sem que Adam nem Ishah se apercebessem — o ser mau movia o mundo através deles.
A promessa do Rei
Mas o Rei — antes de eles saírem do jardim — disse algo muito importante.
Falou ao ser mau que estava na serpente:
«Um dia virá alguém. E esse alguém vai consertar tudo o que partiste.»
Era uma promessa. E o Rei cumpre sempre as suas promessas.
O Grande Resgate
Passaram-se muitos, muitos anos. Muitas gerações. Muitos avós de avós de avós.
E então o Rei fez algo que ninguém esperava.
Ele mesmo decidiu entrar no mundo que tinha criado.
Para entrar precisava de ser como Adam. Precisava de ser um ser de carne de verdade. Com mãos e pés e tudo.
Então escolheu uma mãe muito especial. Chamava-se Miriam.
Sabes o que significa o nome dela? É como dizer: «o sopro do Rei rodeado de água.» O Rei entrando no mundo através dela como um rio que nasce de uma fonte.
E nasceu um bebé.
Esse bebé chamou-se Iahushúa.
O seu nome significa: «Iahúa — o Rei — é salvação.»
Por que Iahushúa era diferente
Iahushúa era um ser de carne de verdade. Tinha fome. Tinha sede. Cansava-se. Brincava. Ria. Chorava.
Mas também era o filho do Rei.
E isso tornava-O especial de uma maneira muito importante:
O ser mau não tinha nada sobre Ele.
Lembras-te de que Adam e Ishah entraram no território do ser mau? E por isso o ser mau podia usá-los.
Iahushúa nunca entrou nesse território. Nunca fez caso ao ser mau. Nunca. Nem uma única vez.
O ser mau não tinha nada que Lhe cobrar. Nenhuma dívida. Nenhum poder sobre Ele.
O dia mais escuro — e o mais brilhante
Um dia o ser mau pensou que tinha ganho.
Fez com que as pessoas ferissem Iahushúa. E Iahushúa morreu.
Naquele dia todos os Seus amigos choraram. O céu ficou escuro. Parecia que tudo tinha terminado.
Mas o ser mau cometeu um erro enorme.
Se alguém morre sem ter dívida — sem ter entrado no território do mau — ninguém o pode reter.
As regras do próprio território do mau diziam-no assim.
E Iahushúa não tinha dívida.
Ao terceiro dia Iahushúa despertou.
Levantou-se. Saiu. Vivo.
E a dívida velha de Adam — aquela que o ser mau guardava desde o jardim — ficou paga. Para sempre.
O ser mau já não a podia cobrar.
O que isso significa para ti
Lembras-te do sopro do Rei que despertou Adam?
Esse mesmo sopro está disponível para ti.
Quando tu dizes «Sim, eu quero ser parte do Reino do Rei» — é como se o Rei pusesse o Seu sopro em ti de novo.
E o ser mau já não tem dívida que cobrar-te.
Porque Iahushúa pagou tudo. A promessa do jardim cumpriu-se.
Uma coisa importante
O ser mau ainda está aqui. Não tem o poder de antes. Mas continua a tentar.
Continua a sussurrar às Ishahs: «Busca poder. Busca mais. Sempre mais.»
Continua a sussurrar aos Adams: «Consegue poder para que te vejam. Carros. Dinheiro. Fama. Se não tens tudo isso não vales nada.»
Mas o Adam que está no Reino do Rei sabe que isso é mentira.
Não precisa de perseguir. Não precisa de acumular. O próprio Rei cuida dele.
E quando o Adam deixa de perseguir — o ser mau perde o seu controlo.
O final — que na realidade é o princípio
O Rei está a preparar um jardim novo.
Muito mais bonito que o primeiro. Onde não há ser mau. Onde não há mentiras. Onde o Rei caminha entre os seus como sempre quis.
E todos os que disseram «Sim, eu quero ser parte do Reino» — estarão lá.
Para sempre.
Dorme tranquilo, pequeno. O Rei cuida dos seus enquanto dormem.
Salmo 127:2
𐤀𐤌𐤍